Crer em Deus e procurar fazer a Sua vontade, sendo fiel aos Seus estatutos, é também entender que grandes batalhas, perseguições e lutas irão surgir. Com elas, vêm os questionamentos. Faz parte da caminhada. A própria Palavra nos alerta: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33).
Quando falo de questionamentos, não me refiro apenas às pessoas ao redor, que muitas vezes apontam para a nossa vida, comentam sobre nossas dificuldades ou até nos acusam de estarmos em pecado, dizendo que tudo o que estamos passando é castigo, punição divina ou consequência de alguma maldição. Essas vozes existem, e por vezes ferem, mas não são as únicas. A Escritura diz: “Bem-aventurados sois quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.” (Mateus 5:11).
Falo principalmente dos nossos próprios questionamentos, aqueles que surgem dentro de nós. Sabemos que, quando nos convertemos, passamos por uma grande transformação. Somos moldados pelas mãos do Oleiro, e nesse processo há momentos em que somos quebrados para sermos refeitos. Como está escrito: “Desci à casa do oleiro… como o vaso que ele fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos.” (Jeremias 18:3-4).
Há dias em que enfrentamos provas tão intensas que o coração se cansa de tanto apanhar. Momentos em que voltamos a sentir tristeza, contrição e um peso difícil de explicar. A Palavra reconhece esses períodos: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas.” (Salmos 34:19). Ainda que o coração se entristeça, sabemos que Deus permanece presente.
A incerteza se mistura com a insegurança, e o tempo parece não passar. Tudo isso nos conduz a períodos de tribulação, medo, sensação de incapacidade e profundo cansaço. Porém, mesmo nesses momentos, somos lembrados: “Porque andamos por fé e não por vista.” (2 Coríntios 5:7). Nem sempre veremos o agir de Deus de imediato, mas continuamos confiando.
Nesses momentos, os questionamentos aparecem com mais força. Olhamos ao redor e parece que todos estão bem, alegres, avançando, enquanto nós permanecemos no mesmo lugar. Na vida dos outros tudo parece fluir com facilidade, e na nossa tudo parece travado. Ainda assim, a Escritura nos orienta: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará.” (Salmos 37:5).
Às vezes tentamos desabafar com alguém, na esperança de ouvir uma palavra de ânimo ou de perseverança. Porém, nem sempre encontramos conselhos firmados na verdade. Surgem opiniões sem fundamento, fórmulas prontas ou caminhos que não estão alinhados com aquilo que cremos. Por isso, precisamos discernir: “Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21).
Com o tempo, algumas pessoas até tentam confundir a nossa fé. Tentam moldar nossas escolhas, oferecendo novas crenças, novas doutrinas e caminhos que se afastam da Palavra do Senhor. Mas a Bíblia nos adverte: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina… e se desviarão da verdade.” (2 Timóteo 4:3-4). Por isso, permanecemos firmes no que cremos.
Mas há algo que permanece firme dentro de mim: eu não negocio a minha fé. Não negocio a minha crença. Eu sirvo apenas a um Senhor. Foi Ele quem criou os céus e a terra e tudo o que há. É o Deus vivo, o Pai do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como declarou Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15).
Não importa o que eu esteja passando. Jamais negarei ao meu Deus. Se for da vontade dEle que eu atravesse momentos difíceis, eu passarei. Se for necessário enfrentar vales e desertos, eu seguirei. Porque tenho a certeza de que o Deus a quem sirvo é misericordioso, justo e fiel. “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus.” (Romanos 8:28).
Eu creio que o tempo dEle é perfeito. Creio que cada prova tem um propósito e que nada foge ao Seu controle. Por isso, mesmo cansado, sigo confiando. Mesmo em silêncio, continuo crendo. E sei que, no tempo certo, a minha vez chegará, porque “o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno.” (2 Tessalonicenses 3:3).




