Existe uma dor que não se explica. Não se vê, não se toca — apenas se sente. É a dor da alma, silenciosa e profunda, para a qual não há remédio capaz de conter.
Carrega-se esse peso na esperança de que o dia seguinte não repita o mesmo sofrimento. Deseja-se que o choro venha à noite, enquanto se espera que, ao amanhecer, a alegria ainda encontre espaço. Mas o tempo passa, e nada muda. Aprende-se a suportar, a conviver e, pouco a pouco, a aceitar que talvez não haja solução. Depois de tanto tempo, esperar já não faz sentido.
A dor deixa de ser passageira e se torna presença constante. Já não visita — permanece. Instala-se de forma silenciosa, moldando pensamentos, enfraquecendo certezas, ocupando espaços que antes eram de paz. O tempo segue quase imperceptível, até que, de repente, percebe-se que anos se foram.
Nesse caminho, perde-se também a capacidade de se abrir. Não por escolha, mas por experiência. Quando houve tentativa, faltou compreensão. Faltaram ouvidos dispostos, faltou cuidado. Há caminhos em que apenas os próprios passos deixam rastros — e olhar para trás é confirmar que se caminhou sozinho.
“Inexplicável” talvez seja a palavra mais próxima, ainda que insuficiente. Porque há dores que não cabem em definições, apenas se acumulam em silêncio, ecoando dentro de quem as carrega.
E então surge a pergunta inevitável: e agora?
Segue-se adiante como é possível. Não por força, mas por necessidade. Às vezes, com o desejo silencioso de que tudo isso termine logo — não como desistência, mas como cansaço. Porque, sem aprender a conviver com a dor, continuar vivendo se tornaria insustentável.
No íntimo, cresce um desejo simples e profundo: descanso. Parar, respirar, não precisar mais lutar o tempo todo. E, nesse estado, aquilo que antes era inegociável — a própria vida — começa a perder o peso que tinha.
Ainda assim, mesmo que algo mude, nada volta a ser como antes. Permanecem as marcas, o trauma, a insegurança. Não é algo que o tempo apaga, mas uma ferida que aprende a coexistir com quem a carrega. As lembranças não desaparecem — apenas se reorganizam, esperando momentos de silêncio para retornar.
Não se trata de rancor. Trata-se de entendimento. De reconhecer, com mais profundidade, quem somos — e o quanto a ausência, o silêncio e a indiferença também moldam uma vida.
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos.”
Isaías 61:1
Eduardo MLeão escreve artigos cristãos com base na Palavra de Deus, usando uma linguagem simples e acolhedora. Seus textos buscam fortalecer a fé e lembrar que Deus está presente em todos os momentos. E-books.




