Nossa caminhada pode até ser representada por uma travessia em cima de uma corda, onde há necessidade de paciência, autocontrole e, o mais importante, confiança, para que não se perca a esperança de chegar ao outro lado e, no meio do caminho, cair.
Essa é uma ilustração que define um pouco da nossa trajetória cristã. Existem alguns elementos básicos que um cristão deve ter consigo, e o primordial é a confiança: crer que tudo isso é passageiro e que, ao final, haverá recompensa — as promessas de Deus e a certeza da vitória.
Mas até a tão desejada vitória existem muitos obstáculos difíceis a serem atravessados, obstáculos que vão tentar puxar você para baixo na intenção de derrubar e impedir que alcance as promessas de Deus que estão no final dessa travessia. Cada passo dado não representa ter a visão do final do trajeto, e nem mesmo é possível medir o tempo que levará para concluir essa caminhada até o objetivo desejado. E esse ponto — o tempo — torna-se, muitas vezes, um dos maiores obstáculos dessa jornada.
Você dorme e acorda novamente em cima de uma corda bamba que leva a um destino em linha reta. Ao seu lado direito há uma queda sem precedentes, e ao seu lado esquerdo nada diferente. Isso expressa muito bem os seus dias: nada diferente.
O vento sopra e tudo balança, mas você não cai. Mesmo não tendo onde segurar, continua confiante de que vai conseguir realizar a travessia. Esse é somente o primeiro estágio, o início, quando ainda há forças, confiança e a fé está em um nível alto.
Mas os dias passam e o seu “nada diferente” não muda. Mais um dia no topo, pendurado em uma corda, ainda sem conseguir visualizar o ponto de chegada. Você olha para trás e percebe que já se distanciou do ponto de partida, mas ainda não consegue ver o final do trajeto.
Nos tempos primordiais, as embarcações — navios antigos — tinham um mastro onde um dos tripulantes subia com um tipo de telescópio para tentar encontrar terra. E de lá de cima, quando finalmente visualizava terra, gritava ao comandante: “Terra à vista!” Era um alívio depois de tanto tempo dentro de um navio vendo apenas o mar, água para todos os lados.
O tempo vai passando e a caminhada começa a perder os combustíveis essenciais: fé e confiança. Esses combustíveis vão sendo substituídos por dúvidas e desesperança. E o fator mais determinante para a perda desse combustível é o silêncio. Precisamos, assim como naquele navio, que alguém lá de cima grite — mas não “terra à vista”. Precisamos ouvir: “Não temas, eu estou contigo.”
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”
Isaías 41:10
O certo é que nossa caminhada não termina aqui. Ela continua até o consumar de tudo, e muitas vezes continuará sendo em cima de uma corda bamba. Haverá tentativas de nos derrubar e forças tentando nos puxar para baixo. Tentaremos nos segurar, e muitas vezes parecerá que não há onde segurar. Mas não se preocupe: é Ele — nosso Senhor Jesus — quem nos segura e nos sustenta. Continue caminhando.
“O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, a minha rocha em quem me refugio.”
Salmo 18:2
Não desista.




