Até onde a nossa visão pode alcançar? Confesso que, mesmo subindo ao lugar mais alto, ainda não consigo visualizar o oásis tão desejado — aquele onde saciaria a minha sede. Sede do Teu poder, sede da Tua presença, sede do Teu socorro, especialmente nas horas mais tribuladas.
Reconheço que este é um daqueles momentos menos desejados por qualquer ser humano. O tempo em que a aflição, a dor e a insegurança parecem reinar. A alma dói. Ela grita — um grito profundo, silencioso, audível apenas para quem o carrega no peito.
“A minha alma está profundamente angustiada.” (Salmos 42)
Os questionamentos tomam conta da mente. O coração acelera, o peito parece comprimido, como se faltasse ar. A angústia é intensa. A alma continua clamando por socorro, mas ninguém parece perceber, ninguém estende a mão, nem mesmo para dizer: “calma, vai ficar tudo bem”.
Sozinho e sem forças, tudo parece desabar de uma vez. Um peso que consome cada resquício de energia. De onde tirar forças para continuar, se tudo conspira contra, puxando insistentemente para baixo? Os problemas aumentam, assim como os dias. E a pergunta insiste em ecoar: até quando? Dentro de mim, repito sem cessar: não estou aguentando, não estou suportando.
“Quando estou fraco, então é que sou forte.” (2 Coríntios 12)
Ao deitar, surge o desejo apenas de descanso, mas o dia seguinte chega — e com ele, mais um ciclo de aflições. A expectativa se mistura ao medo: o que este novo dia trará? Aos poucos, a esperança parece se afastar, enquanto a insegurança cresce, acompanhada de incertezas, dores e temores.
Valentes todos somos, mas não em todas as circunstâncias, especialmente nas inesperadas. Quando a luta toca aquilo que mais prezamos — família, filhos —, a valentia muitas vezes desmorona, como uma torre sem alicerce. Um dos primeiros sinais é a sensação de fraqueza e incapacidade.
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” (Salmos 127)
Não se trata de uma história de super-heróis, daqueles que surgem de repente com trajes chamativos e símbolos no peito. A realidade é outra. Nossas lutas são diárias — maiores para uns, menores para outros — e todas são medidas pela mesma palavra: suportar. É quando avaliamos o quanto conseguimos suportar que percebemos o quanto somos mais frágeis do que imaginávamos.
E é exatamente aí que aprendemos algo essencial: precisamos nos tornar totalmente dependentes. Dependentes da Verdade.
Apesar de toda luta, jamais direi “o que me resta”, porque isso, na verdade, é o tudo. Confiar plenamente em Jesus Cristo. A Ele entrego minha vida e n’Ele escolho depender completamente. Preciso crer que, apesar de tudo parecer contrário — da dor, da aflição, do medo e da angústia — isso não é sinal de abandono por parte do Senhor. Jamais. Pelo contrário: é no sofrimento que o poder de Deus se aperfeiçoa em mim.
“O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12)
No sofrimento aprendemos sobre crescimento espiritual, obediência e, acima de tudo, dependência. É na dependência que podemos descansar, mesmo quando o dia é difícil e as notícias não são boas. Ele nos chama a confiar, a descansar, pois é o Senhor quem peleja por nós.
Esse é o ponto mais alto de tudo — maior até do que o sofrimento presente. Porque a dependência gera confiança, e a confiança gera dependência.
Acredite.
